"Este memorial preserva a história e o legado do Engenheiro Agrônomo Washington Alvarenga Viglioni, pioneiro na pesquisa e no cultivo da oliveira, na introdução da cultura da azeitona e no desenvolvimento agrícola na Fazenda Experimental de Maria da Fé, Minas Gerais."
Raízes Italianas no Sul de Minas
A história da agricultura moderna em Minas Gerais cruza-se, inevitavelmente, com as correntes migratórias que trouxeram novas perspectivas técnicas e culturais ao solo brasileiro no início do século XX. Foi nesse cenário de transformação que, em 27 de fevereiro de 1913, na cidade ferroviária de Ribeirão Vermelho, localizada no Sul de Minas Gerais, nasceu Washington Alvarenga Viglioni.
Descendente de uma tradicional família de imigrantes italianos, Washington carregava no sobrenome e na criação a ética do trabalho persistente e o vínculo profundo com o manejo da terra. Filho de Archimedes Viglioni e Jocilia Alvarenga Viglioni, ele cresceu observando a transição do interior mineiro para uma era de maior integração econômica, onde a dedicação familiar e o rigor moral pavimentavam o caminho para as futuras gerações.
O Homem Além da Terra: Família e Valores
O engenheiro agrônomo Washington Alvarenga Viglioni foi casado com Maria José Guglielmelli Viglioni (1912–1995) e compartilhou a criação de sete filhos e de José Florentino Domingos, acolhido desde os 11 anos até seu casamento em 1976. Sua liderança destacou-se pela integridade e sensibilidade com os agricultores.
Pode a determinação de um único homem mudar o destino econômico de toda uma região?
Ao desembarcar na fazenda subestação Experimental de Maria da Fé, o agrônomo Washington deparou-se com um vasto campo técnico a ser desbravado. Com visão de longo prazo e um profundo respeito pela botânica, ele iniciou sua gestão promovendo um dos reflorestamentos mais marcantes da região. Sob o seu olhar atento, o local ganhou contornos imponentes com o plantio sistemático de Araucárias, diferentes variedades de Ciprestes, Eucaliptos e extensas fileiras de Castanheiras. Mais do que proteger o solo, o reflorestamento desenhou a identidade visual da Subestação, que passou a ser respeitada localmente como o "Campo das Sementes".
🍎 🍇Excelência na Fruticultura Regional
Nos pomares da Subestação Experimental, o engenheiro agrônomo Washington alvarenga Viglioni, aplicou um rigoroso padrão de pesquisa e cultivo. Variedades como maçã, pera, figo, ameixa e uva receberam atenção especial e ganharam destaque entre os agricultores locais pelo sabor e qualidade. A alta produção de marmelo e outras frutas impulsionou a produção artesanal de compotas e doces em massa, embalados tradicionalmente em caixas de madeira. O cultivo de uvas finas, como as castas Merlot (francesa) e Riesling (alemã), também permitiu a produção experimental de vinhos artesanais. Todo o progresso era documentado em detalhados fichários técnicos enviados à Secretaria da Agricultura de Belo Horizonte.
🥔 O Legado na Lavoura e o Boom da Batata
Ao assumir a Subestação Experimental de Maria da Fé em 1941, o engenheiro agrônomo Washington Alvarenga Viglioni tinha a missão de desenvolver a agricultura local. Sob sua liderança e através do intercâmbio técnico com engenheiros norte-americanos, do Instituto Agronômico de Belo Horizonte e da ETA do Rio de Janeiro, o cultivo da batata alcançou resultados históricos. A produção local ganhou tamanha relevância que passou a ser exportada para países europeus, Estados Unidos e América do Sul, além de abastecer o Rio de Janeiro e São Paulo. Esse trabalho pioneiro consolidou Maria da Fé como a principal produtora de batata do Brasil entre as décadas de 1960 e 1980.
🫒 O Pioneirismo na Olivicultura
Em 1947, após recuperar e estudar duas oliveiras na Fazenda Pomaria, o engenheiro agrônomo Washington Alvarenga Viglioni identificou o enorme potencial de adaptação da planta ao clima da região. Esse estalo inicial deu início à pesquisa científica e ao cultivo da oliveira em Minas Gerais. Ele se tornou o grande "Pioneiro na Pesquisa e Cultivo da Oliveira em Maria da Fé e no Estado de Minas Gerais". Literaturas, homenagens e reportagens históricas e atuais da imprensa do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais comprovam que o primeiro olival e canteiro de mudas do Estado nasceu em 1947, na Subestação Experimental (atual Epamig), deixando um legado definitivo para a olivicultura no Brasil.
Em 1941, liderou a Subestação Experimental em Maria da Fé, transformando o município no maior produtor de batatas do país. Em 1947, introduziu as primeiras mudas de oliveira na região, desbravando a olivicultura mineira.
Em 1947 liderou a pesquisa e cultivo da oliveira em Maria da Fé tornando-se PIONEIRO em todo o Estado de Minas. O seu trabalho foi reconhecido pela imprensa (jornais/revista) de Minas Gerais/Rio de Janeiro/São Paulo com homenagens recebendo:
TÍTULO DE PIONEIRO NA PEQUISA E CULTIVO DA OLIVEIRA EM MINAS GERAIS.
Washington Alvarenga Viglioni (1913-1979)
Maria José Guglielmelli Viglioni (1912-1995)
Foto arquivo pessoal e única
Um homem guerreiro como pai, na área social e na área profissional!
Sempre muito benquisto por todos na cidade e na área Rural.
A imprensa o qualifica pelo LEGADO que deixou para a Agricultura do Brasil.
Recebeu muitas homenagens pela Imprensa em geral pelo trabalho e pesquisa a favor da Agricultura do Brasil.
Uma mulher guerreira como mãe, na área social e na área profissional!
Por muitos anos lecionou no Grupo Escolar Arlindo Zaroni. Além de exercer a profissão de Professora, ainda tinha tempo para dar aulas na área da “Arte de Bordados Manuais”. Também consagrou-se na Arte da Pintura em Tela e na Culinária. Muito benquista por todos da região.
Sempre presente na linha de frente como um escudo protetor.
A foto acima, registrada em 1972, captura a cumplicidade e a força do Casal Viglioni. Mais do que companheiros de vida, o Dr. Washington e Dona Maria José foram os alicerces de um lar sustentado pela ética, pelo amor ao próximo e pela dedicação à terra. Hoje, ambos descansam na eternidade, tendo cumprido suas missões de forma inesquecível. O Engenheiro Agrônomo Washington Alvarenga Viglioni partiu em 1979, imortalizado como o pioneiro da olivicultura e da bataticultura. Em 1995, foi a vez de nos despedirmos de nossa querida mãe, Maria José Guglielmelli Viglioni, professora dedicada, artista e o escudo protetor da nossa família.
A estrutura desse lar foi solidificada pelo afeto daqueles que cresceram sob a proteção do casal e que hoje, na eternidade, encontram-se novamente reunidos com nossos pais. Entre os filhos, guardamos a dolorosa saudade de nossa querida irmã Mírcia Maria Viglioni Monteiro, cuja presença iluminou nossos dias e esteve comigo na histórica inauguração da placa em Passo Quatro em 1985; e de nossa estimada irmã Luiza Helena Guglielmelli Viglioni Terra, que partiu em abril de 2021, deixando um vazio imenso em nossos corações, embora seu espírito de amor permaneça vivo em nossa história familiar.
Relembramos também com profunda reverência o nosso querido irmão de criação, José Florentino Domingos (1946–2008), acolhido como filho legítimo do afeto desde os seus 11 anos e protegido do lar até seu casamento em 1976. Unindo-se a essas saudades, honramos a integridade do meu querido tio, Francisco Severo Guglielmelli Filho (1923–1988), elo forte e fraterno com as nossas raízes maternas.
Eles se foram, mas a união que demonstraram em vida continua a frutificar através das memórias que guardamos com eterno orgulho e profunda gratidão neste memorial. Que estas linhas sirvam como um tributo definitivo ao amor que compartilhamos.
"Colégio Kemper"
Atualmente Instituto Presbiteriano Gammon
Foto arquivo pessoal e única - Lavras final anos 20
Escola Superior Agricultura Lavras Agronomia "ESAL"
Atualmente Universidade Federal de Lavras "UFLA " Foto arquivo pessoal e única- 1935
"Colégio Kemper"
Ainda na juventude, Washington compreendeu que a vocação para transformar o campo exigia mais do que intuição; demandava instrução técnica de excelência. No final da década de 1920, transferiu-se para o importante polo educacional de Lavras, também no Sul do estado, para ingressar no renomado Colégio Kemper — instituição que viria a consolidar-se historicamente como o Instituto Presbiteriano Gammon.
O ambiente do Colégio Kemper foi fundamental para lapidar o caráter do jovem estudante. Sob uma forte influência de disciplina, humanismo e incentivo ao pensamento científico, Washington desenvolveu hábitos que o acompanhariam por toda a vida: o apreço pela leitura selecionada, o autocontrole em situações adversas e uma visão humanitária voltada para o desenvolvimento das comunidades ao seu redor.
ESAL-UFLA
Concluídos os estudos preparatórios, o caminho natural para a sua vocação consolidou-se em 1932, ao ingressar na prestigiada Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL), hoje reconhecida globalmente como a Universidade Federal de Lavras (UFLA). A ESAL era, à época, um dos maiores centros de vanguarda agronômica do país, combinando práticas de campo rigorosas com as mais modernas teorias científicas importadas da Europa e da América do Norte. Durante quatro anos, Viglioni dedicou-se intensamente ao estudo da botânica, da química do solo, do manejo hídrico e da economia rural. Ele integrou a 33ª Turma de Graduados, colhendo o grau de Engenheiro Agrônomo no final de 1935. Aquela formatura não representava apenas a conquista de um título, mas o nascimento de uma mente científica que, nos quarenta anos seguintes, redefiniria a matriz produtiva e a paisagem agrícola do estado de Minas Gerais.
Foto arquivo pessoal e única- 1935
Atualmente Universidade Federal de Lavras "UFLA "
Contribuição para as gerações futuras
Em novembro de 1941, o Engenheiro Agrônomo Washington Alvarenga Viglioni recebeu uma missão que mudaria definitivamente o rumo de sua carreira e a história do Sul de Minas Gerais. Designado pela Secretaria da Agricultura do Estado, ele assumiu como o primeiro gerente e diretor da Subestação Experimental de Maria da Fé, uma área de 113 hectares originalmente doada em 1927 pelo Sr. José Fabrino de Oliveira e sua esposa, Sra. Alice Fabrino. O espaço, antes sob controle federal com o plano de abrigar uma escola agrícola, havia sido repassado ao Estado de Minas Gerais em 1940 para se transformar em um centro de pesquisas voltado ao clima frio da região sul-mineira.
Ao desembarcar na fazenda, o Dr. Washington deparou-se com um vasto campo técnico a ser desbravado. Com visão de longo prazo e um profundo respeito pela botânica, ele iniciou sua gestão promovendo um dos reflorestamentos mais marcantes da região.
Sob o seu olhar atento, o local ganhou contornos imponentes com o plantio sistemático de Araucárias, diferentes variedades de Ciprestes, Eucaliptos e extensas fileiras de Castanheiras. Mais do que proteger o solo, o reflorestamento desenhou a identidade visual da Subestação, que passou a ser respeitada localmente como o "Campo das Sementes".
O Legado de Amor com Júlio César
A trajetória do lendário agrônomo da Mantiqueira e de sua esposa frutificou, acima de tudo, no solo sagrado da família. O maior testemunho desse afeto atende pelo nome de Júlio César.
Nascido com uma condição especial decorrente da falta de oxigenação no parto, Júlio tornou-se o centro dos cuidados do casal Viglioni, que dedicou a vida a ensinar-lhe os pormenores e a beleza da existência.
Após o falecimento do agrônomo, a missão foi carregada com extrema coragem e fortaleza pela matriarca. Com uma força admirável, sua mãe enfrentou os desafios do ensinamento contínuo, mantendo a chama da proteção sempre acesa.
Esse legado de cuidado atravessou gerações. Por 32 anos, de maio de 1995 à setembro de 2024, eu tive o privilégio de zelar por Júlio César em uma jornada de profunda cumplicidade. Hoje, essa corrente de amor tem continuidade sob os cuidados atentos de minha irmã, Susi Helena.
Atualmente, aos 85 anos de idade e gozando de muita saúde, Júlio César permanece como o elo mais forte de nossa história. Ele é a prova viva de que a semente mais bonita plantada pelo agrônomo Washington e cultivada pela esposa Maria José, não foi a batata e nem a oliveira, mas sim o amor incondicional que continua unindo a nossa família.
"O lar formado pelo casal Viglioni foi uma verdadeira escola de afeto, onde todos os irmãos aprenderam, desde cedo, a cercar Júlio César de muito carinho, respeito e dedicação, transformando o cuidado em uma missão de amor compartilhada por toda a vida."
Júlio César com menos de 6 meses
Subestação Experimental de Maria da Fe- 1941
Júlio César com 85 anos – Belo Horizonte
Salinas - Algodão 1936
Candeias - Algodão 1936
Oliveira - Algodão 1938
Patos de Minas - Cana de Açúcar 1941
Subestação Experimental de Maria da Fé - Lavoura Batata - 1941
(1941 à 1961)
Sub.Experimental de Maria da Fé - Primeiras mudas de oliveira
Foto Final de 1947
Belo Horizonte - Instituto Agronômico 1963
(1962 à 1979)
Belo Horizonte - Instituto Agronômico - Escritório - Foto 1963
(1962 à 1979)
Registros da Subestação Experimental de Maria da Fé: Sob a liderança do engenheiro agrônomo Washington Alvarenga Viglioni (que dirigiu a fazenda até 1961), a unidade foi o grande motor tecnológico da região. Artigos e relatórios técnicos mostram que o local foi projetado para ser o principal centro de melhoramento genético de batata-semente do Brasil. Ensaios fotográficos e científicos documentam com precisão as técnicas de pulverização, amostragem e manejo desenvolvidas em 1948 e 1960 no acervo digital.
O Cientista e Visionário – Eng. Agrônomo Washington Alvarenga Viglioni: Foi diretor da então Subestação Experimental de Maria da Fé (órgão do Estado de Minas Gerais) por duas décadas (1941 a 1961). Viglioni enxergou o potencial econômico da planta e obteve com ele as mudas necessárias para iniciar a primeira pesquisa científica oficial em 1947.
Os Primeiros Avanços Técnicos: Engenheiro Washington Alvarenga Viglioni registrou fotograficamente os canteiros oficiais em 1949 ao lado de uma linha de araucárias.
Inovação urbana (1951): Em 1951, em parceria com o prefeito local, Engenheiro agrônomo Washington Alvarenga Viglioni inovou ao utilizar mudas de oliveiras no paisagismo das praças públicas de Maria da Fé. Diante das dificuldades da época, ele realizava a extração do azeite de forma totalmente artesanal e enviava as amostras de azeitonas para a Secretaria da Agricultura em Belo Horizonte para comprovar a viabilidade econômica. Seu esforço culminou na primeira colheita documentada e bem-sucedida em 1960 no acervo digital:
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